sexta-feira, 21 de agosto de 2009

ENSINO MÉDI0 - TERCEIRO ANO

FRASE, ORAÇÃO, PERÍODO

FRASE – é toda declaração que possui sentido completo.

Ex.: Silêncio!
Curva perigosa.
Rua sem saída.
A menina caiu na lama.

A frase sempre termina com um sinal de pontuação e pode conter verbo ou não.

ORAÇÃO – é todo enunciado organizado em torno de um verbo. Não precisa, obrigatoriamente, terminar com um sinal de pontuação, nem ter sentido completo, mas tem que ter um verbo.

Ex.: Vamos ao teatro neste domingo?
Os garotos organizaram a apresentação.
O fumo prejudica a saúde.
A menina caiu na lama / e chorou.


PERÍODO – é a frase formada por uma ou mais orações. Termina sempre com um sinal de pontuação, tem, pelo menos, um verbo, obrigatoriamente, e tem sentido completo.

O período pode ser:

a) SIMPLES – quando tem apenas uma oração (um verbo ou uma locução verbal): oração absoluta.

Ex.:
Os jornais noticiaram o fato.
"Às vezes, no silêncio da noite, eu fico imaginando nós dois."
A menina caiu na lama.


b) COMPOSTO – quando tem mais de uma oração (mais de um verbo ou locução verbal).

Ex.:
Se você estivesse aqui,/ resolveria o problema.
Tome uma atitude agora para não se arrepender depois
A menina caiu na lama / e chorou.

Obs.: Toda oração está centrada num verbo ou numa locução verbal. Por isso, o número de orações que constituem um período depende do número de verbos ou locuções verbais.


EXERCÍCIOS

1. Circule os verbos e classifique os períodos a seguir como simples ou composto.

a) "Alguma coisa está fora da ordem."
b) Não fume, pois o fumo prejudica sua saúde.
c) Respeite os sinais de trânsito.
d) Peça ajuda a alguém para resolver seus problemas.
e) Você está duvidando da palavra de seu amigo.
f) Eles não tinham idéia do tempo que ficamos parados no trânsito.
g) "Alguma coisa acontece no meu coração."
h) Quando chegamos ao teatro, a apresentação já havia começado.
i) Todos os preços permanecerão estáveis.
j) "Todos os dias quando acordo não tenho mais o tempo que passou."
k) "Se ela me deixou a dor é minha só, não é de mais ninguém."
l) "Amou daquela vez como se fosse a última."
m) "O poeta é um fingidor."
n) "Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado..."
o) "Quando a gente ama, é claro que a gente cuida."
p) "Quer andar de carro velho, amor, que venha!"
q) "Tô com saudade de você embaixo do meu cobertor."

SUJEITO E PREDICADO

SUJEITO - é o termo da oração com o qual o verbo concorda em número e pessoa; é o elemento sobre o qual se declara alguma coisa.

Ex.: Os cidadãos lutam por seus direitos.
Todos compareceram.
Vieram de longe alguns objetos de cerâmica.

O sujeito pode aparecer em diferentes posições na oração: no início, no meio ou no final dela.

Para se encontrar o sujeito de uma oração, pergunta-se "o quê? ou quem?" ao verbo:

Os professores participaram da festa.

Quem participou da festa? Os professores.

O sujeito da oração é "os professores".

O sujeito pode ser representado por uma única palavra ou por um conjunto de palavras. Nesse último caso, sempre haverá uma palavra de maior importância, que será o núcleo do sujeito, geralmente um pronome, numeral, substantivo ou palavra substantivada.

Ex.: A secretária da diretoria pediu dispensa do trabalho.


PREDICADO – é tudo aquilo que se declara sobre o sujeito (quando ele existe). É o único termo realmente essencial na oração. Em todo predicado existe, obrigatoriamente, um verbo ou uma locução verbal.
Ex.: Os professores participaram da festa.

Obs.: Uma vez localizado o sujeito de uma oração, tudo aquilo que sobra (exceto o vocativo) é predicado. Quando uma oração não tem sujeito, o sujeito está indeterminado ou oculto, ela toda é predicado.

EXERCÍCIOS

1. Nas orações a seguir, localize o sujeito e o predicado.

a) A decisão do governo ainda não foi divulgada.

b) O rapaz procurou a ajuda dos amigos.

c) Aconteciam muitos fatos estranhos naquele lugar.

d) Existem muitos candidatos interessados na vaga.

e) Entristeceu-me profundamente a sua indiferença.

f) Os estados do Nordeste brasileiro estão investindo bastante em turismo.

g) Os maiores nomes da MPB reúnem-se hoje para um grande espetáculo ao ar livre.

h) O cinema nacional tem produzido ótimos filmes.

i) Nossos verdadeiros amigos estão presentes nos momentos difíceis.

j) Novas propostas salariais foram apresentadas ao governo.


2. Monte orações a partir dos elementos oferecidos em cada um dos itens a seguir, fazendo a devida concordância.

a) Tocar / os sinos da catedral / de hora em hora

b) Ocorrer / várias idéias brilhantes / durante a noite

c) Faltar / três alunos / ontem

d) Acontecer / acidentes graves / último domingo

e) Desabar / fortes chuvas / mês passado


3. Inverta a posição dos elementos básicos das orações a seguir de forma que o elemento sobre o qual se informa algo apareça após a informação dada.

a) O vendaval virou alguns barcos.

b) A tempestade passou.

c) Nosso interesse foi reconhecido por todos.

d) Um fato inesperado aconteceu.

e) Os estudantes participaram das manifestações


4. Sublinhe o sujeito e circule a palavra que funciona como núcleo.

a) O locutor anunciava as promoções.

b) Chegaram ao Brasil o presidente e o primeiro-ministro.

c) Foi oferecido um jantar a todos os convidados.

d) A África do Sul está descobrindo o valor de suas riquezas.

e) O passageiro reclamou do atraso .

f) As massas importadas da Itália conquistam o paladar dos consumidores brasileiros.

g) Os gênios nacionais não são de geração espontânea.

h) O gênio explosivo foi notado logo no início de sua carreira.

i) Aconteceram, naquela tarde, dois acidentes fatais.



TIPOS DE SUJEITO

a) SIMPLES - quando tem apenas um núcleo.
· Os amigos se encontraram na cidade.
· As flores vermelhas murcharam.

b) COMPOSTO – quando possui mais de um núcleo.
· A tristeza e a alegria sempre vivem presentes.
· Bahia e Alagoas são dois estados belíssimos.

c) OCULTO OU DESINENCIAL – quando não aparece claramente na oração, mas é facilmente identificado pela terminação do verbo.
· Gostei muito da apresentação. (eu)
· Escolhemos juntos o nome do bebê. (nós)

d) INDETERMINADO – quando o predicado refere-se a um sujeito que não se pode ou não se quer identificar. São duas as situações de sujeito indeterminado:

1a) Quando o verbo aparece na terceira pessoa do plural e não há uma referência anterior a sujeito.
· Quebraram a vidraça. (quem quebrou?)
· Falaram mal de você. (quem falou?)

2o) Quando o verbo aparece na terceira pessoa do singular acompanhado de se (índice de indeterminação do sujeito).
· Fala-se em mudanças econômicas. (quem fala?)

· Precisa-se de vendedores. (quem precisa?)

e) ORAÇÃO SEM SUJEITO (sujeito inexistente) – quando a oração não possui nenhum ser ao qual o predicado seja atribuído. Por não possuir sujeito, o verbo aparece sempre na terceira pessoa do singular, sendo chamados de verbos impessoais.
As orações sem sujeito ocorrem nas seguintes situações:

1a) com verbos que indicam fenômenos da natureza (chover, ventar, nevar, trovejar, relampejar, etc.).
· Choveu muito durante a semana.
· Nevou bastante no Sul.
· Ventava muito naquela região.

Obs.: Se o verbo que indica fenômeno da natureza estiver empregado em sentido figurado, a oração passa a ter sujeito normalmente.
· Choveram perguntas durante a palestra.

2a) com o verbo HAVER no sentido de existir, acontecer, ocorrer ou indicando tempo transcorrido.
· Havia muitos erros de ortografia.
· Houve vários incidentes desagradáveis.
· Há muitos acidentes nas estradas nos feriados.
· Há meses não viajo.
· Há anos não o via.

3a) com os verbos SER, ESTAR e FAZER indicando tempo cronológico, clima ou distância.
· É meio-dia e meia.
· Está muito frio hoje.
· Faz dez anos que parei de estudar.
· Daqui a minha casa são dez quilômetros.


EXERCÍCIOS

1. Sublinhe, quando for possível, e classifique o sujeito.

a) Ninguém se manifestou.
c) Trabalha-se muito nesta cidade.
d) Aconteceram várias brigas durante o jogo.
e) A chuva e o vento destruíram a plantação.
f) As luzes da avenida ficaram todas apagadas.
g) Amanhecia vagarosamente.
h) Não encontraram os meus documentos.
i) Fizemos a prova com muita atenção.
j) Precisa-se de bons profissionais.
k) A neve cobria as árvores e os carros.
l) Nevou demais no sul do país este ano.
m) Estive em Manaus recentemente.
n) Ainda houve muito bate-boca no restaurante.
o) Alguém mentiu sobre os fatos.
p) Portas e janelas permaneceram fechados.


2. Reescreva as orações a seguir, substituindo o verbo destacado pelo verbo entre parênteses, respeitando o tempo e fazendo as devidas combinações.

a) Havia muitas pessoas naquele local. (existir)

b) Ocorreram discussões desnecessárias na reunião. (haver)

c) Existem muitas dúvidas sobre esse assunto. (haver)

d) Houve muitos problemas durante a gravação. (ocorrer)

e) dois alunos na sala. (existir)

f) Haverá alguém interessado no caso? (existir)


3. Das orações a seguir, algumas apresentam erro. Reescreva-as corretamente.

a) Fazem três noites que não consigo dormir.


b) Houveram muitos acidentes hoje.

c) Lá, haviam muitas pessoas responsáveis.

d) Era dez horas da manhã quando cheguei.

e) Existe apenas uma saída.

f) Haveriam outras possibilidades.


4. As orações a seguir apresentam sujeito simples. Reescreva-as, fazendo as alterações necessárias para que apresentem sujeito indeterminado.

a) O menino quebrou a vidraça.

b) Nós comemos bem naquele restaurante.

c) Os moradores das cidades pequenas vivem melhor.

d) As pessoas falam em mudanças econômicas.

5. Faça conforme o modelo.
· Alguém necessita de auxílio.
· Necessita-se de auxílio.

a) Alguém acredita em dias melhores.

b) Alguém crê em novos tempos.

c) Alguém precisa de ajuda.

d) Alguém apelou para os mais favorecidos.

e) Alguém assistiu a filmes de terror.

f) Alguém aspira ao bem-estar social.

g) Alguém obedece aos impulsos mais generosos.


6. Circule e classifique o sujeito.

a) Naquele instante soou o alarme. _
b) Ocorreu-me então uma idéia oportuna.
c) Passou-me uma velha imagem pela lembrança.
d) Explodiu novo conflito racial na África do Sul.
e) Surgiu uma nova droga para o combate à Aids.
f) Teria o país condições de enfrentar uma nova crise?
h) Têm sido cada vez mais frequentes os ataques da guerrilha à capital do país.
i) Banqueiros e bancários não chegaram a um acordo.
j) Parecem infindáveis as crises políticas e os desarranjos econômicos brasileiros.

TIPOS DE PREDICADO

a) PREDICADO VERBAL – tem como núcleo um verbo que indica ação, acontecimento, fenômeno natural, desejo ou atividade mental.
· A festa acabou cedo.
· O professor marcou uma nova prova.
· Todos gostam de sua companhia.
· Entregamos o comunicado ao chefe da seção.
· Ocorreram diversos imprevistos durante a viagem.

b) PREDICADO NOMINAL – tem como núcleo um adjetivo, um substantivo ou uma palavra substantivada que exerce a função de predicativo do sujeito (palavra ou expressão que caracteriza o sujeito, tendo como intermediário um verbo de ligação, que indica estado).
· A vida é frágil.
· Ela está cansada.
· Um humilde motorista virou uma celebridade nacional.
· O país parece ansioso.
· A vida é bastante delicada.
· A vida é um constante retomar.

c) PREDICADO VERBO-NOMINAL – tem dois núcleos: um verbo de ação e um predicativo que pode referir-se ao sujeito (predicativo do sujeito) ou a um complemento verbal (predicativo do objeto).
· O aluno fez a prova nervoso.
· O funcionário chegou atrasado.
· Fabiano caminhava tenso.

O predicativo do objeto tem a mesma função do predicativo do sujeito, ou seja, atribui uma característica ou um estado, só que nesse caso, ao objeto e não ao sujeito.
· O juiz considerou o gol anulado.
· A premiação deixou a jogadora emocionada.


EXERCÍCIOS

1. Sublinhe e classifique o predicado.

a) Mário ficou nervoso com a discussão.
b) O poeta morreu pobre.
c) O garoto fechou a porta.
d) O garoto fechou a porta irritado.
e) Todos ficaram emocionados com a homenagem.
f) A polícia capturou os fugitivos. _
g) O menino cortou o dedo.
h) Os alunos voltaram do passeio alegres.
i) A moça saiu inconformada.
j) O comerciante ficou perplexo.
l) Aconteceram alguns problemas nas férias.
m) Houve alguns problemas durante a viagem.
n) Mandaram arrancar os trilhos da ferrovia..
o) Chovia muito.
p) A chuva era forte.
q) A viagem deve ter sido empolgante. _
r) Julguei nossa atitude um ato bárbaro.
s) A derrota do time deixou a torcida enfurecida.
t) Viajava todos os domingos.
u) Márcia anda doente.
x) Márcia anda pelas ruas doente.
z) Consideraram aquela proposta indecorosa.

2. Circule e classifique os predicativos.

a) Consideraram a proposta razoável.
b) Chegou atrasado à aula.
c) "O poeta é um fingidor."
d) Acho sua atitude imperdoável.
e) Aquela notícia deixou a aluna feliz.
f) Os alunos aguardavam inquietos o resultado da prova.


PREDICAÇÃO OU TRANSITIVIDADE VERBAL

VERBO INTRANSITIVO – é o verbo que possui sentido completo ou que pede um adjunto adverbial. Ele não precisa de um objeto direto ou indireto.
Ex.: Anoiteceu.
Os convidados já saíram.
O tempo virou.
A menina está na escola.

VERBO DE LIGAÇÃO – é o verbo que tem a função de ligar o sujeito a uma característica do sujeito(identidade, qualidade, estado. Essa característica atribuída ao sujeito é chamada de predicativo do sujeito.
O verbo de ligação não traz em si nenhuma informação sobre o sujeito; essa informação é expressa pelo predicativo.
Ex.: A moça estava triste.
O rapaz ficou calado.

OBS.: A transitividade de um verbo só pode ser definida dentro de um contexto, pois um único verbo pode apresentar diferentes transitividades, conforme a oração em que apareça..
Ex.: O barco virou. (intransitivo)
A mulher virou uma fera. (de ligação)
O vento virou a canoa. (transitivo direto)


OBS 2: Um verbo só pode ser considerado de ligação quando está acompanhado de predicativo do sujeito. Caso isso não ocorra, será intransitivo.
Ex.: O professor ficou zangado. (de ligação)
O professor ficou na sala. (intransitivo)


EXERCÍCIOS

1. Nas orações a seguir, circule o verbo e determine sua transitividade: intransitivo ou de ligação.

a) Aquela moça é encantadora.
b) Os meninos estavam inquietos.
c) A mulher permaneceu no hospital.
d) As garotas ficaram muito abaladas.
e) Todos ficaram na sala.
f) O homem ficou no escritório.
g) Os alunos permaneceram calados.
h) A televisão continuava desligada.
i) O diretor da empresa continua viajando.
j) Meu avô anda muito doente.
l) A menina anda pela calçada.
m) Estamos aborrecidos.
n) Estamos na sala.
o) As amigas dormiram tristíssimas.
p) As amigas dormiram na pousada.


2. Circule o predicativo do sujeito.

a) Os homens trabalhavam distraídos.
b) Os jogadores voltaram para casa exaustos.
c) Os meninos corriam desesperados.
d) O professor fez um comentário sobre o poema emocionado.
e) As mulheres conquistaram seu espaço e ficaram independentes.


3. VERBO TRANSITIVO DIRETO – é o verbo que precisa de outro termo para completar seu sentido. Esse termo não vem acompanhado de preposição e é chamado de objeto direto
Quando depois do verbo, perguntamos o quê? ou quem?, esse verbo será transitivo direto e o termo que responde a essa pergunta será o objeto direto.

Ex.: As meninas ganharam vários presentes.
O quê?(vtd) od
Os alunos fizeram uma bela campanha.
O quê? (vtd) od

4. VERBO TRANSITIVO INDIRETO – é o verbo que precisa de um termo para completar o seu sentido. Esse termo vem obrigatoriamente acompanhado de uma preposição e é chamado de objeto indireto.
Depois do verbo, perguntamos de quê, de quem, em que, em quem ou fazemos alguma outra pergunta iniciada por preposição. A resposta a pergunta feita será o objeto indireto.

Ex.: Eles precisam de sua ajuda.
(precisam de quê? –vti / de ajuda – oi)

Não concordo com a sua opinião.
(não concordo com o quê? – vti / com a sua opinião-oi)

5. VERBO TRANSITIVO DIRETO E INDIRETO – é o verbo que precisa de dois termos ao mesmo tempo: um sem preposição (objeto direto) e outro com preposição (objeto indireto).

Ex.: A empresa enviou o relatório ao vendedor.
vtdi od oi
O garçom entregou a conta ao cliente.
vtdi od oi


EXERCÍCIOS

1. Nas orações a seguir, circule o verbo e determine sua transitividade.

a) Meu amigo está vendendo o carro.
b) Todos gostaram do seu desempenho no jogo.
c) Esqueci o caderno em casa.
d) Comprei alguns discos.
e) Confio em sua honestidade.
f) Fiz meus exercícios ontem à tarde.
g) Escrevi alguns versos para o jornalzinho da escola.
h) Torcemos por sua recuperação.
i) Não vi nossos amigos no clube hoje.
j) Não concordo com seu ponto de vista.
l) Eles enfrentaram vários problemas durante a viagem.
m) Ele próprio reconheceu seus erros.
n) Renato Russo desconfiava do “rock”.
o) O Brasil somos nós.
p) Naquela mesma madrugada ela morreu.
q) Oferecemos flores a uma dama solitária.
r) Não confiamos naquelas pessoas.
s) O atleta virou herói nacional.
t) Ceda o lugar aos mais velhos.
u) Ninguém resistia a seus encantos.
v) Considero a vida passageira.
x) Deus flores a professora.
z) João amava Maria.


2. Em cada grupo de frases a seguir, um mesmo verbo é usado com transitividade diferente. Indique a transitividade verbal em cada situação.
a) Certos mosquitos transmitem doenças.
b) Transmita meus cumprimentos a toda a família.
c) Ele está sempre cantando.
d) Não tinha coragem de cantar aos presentes.
e) Cantou suas mágoas a todos que o ouviam.
f) É um poema que canta as glórias passadas do povo.

TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO
· objeto direto
· objeto indireto
· complemento nominal
· agente da passiva


OBJETO DIRETO – é o termo da oração que completa o sentido de um verbo transitivo direto sem auxílio de uma preposição obrigatória.
Ex.: Carlos ama Luciana.
O soldado sacou a arma.

OBJETO INDIRETO - é o termo da oração que completa o sentido de um verbo transitivo indireto através de uma preposição obrigatória.
Ex.: Carlos gosta de Luciana.
O soldado precisa de arma.

OBS.: Como já vimos, alguns verbos exigem, ao mesmo tempo, dois complementos: são os verbos transitivos diretos e indiretos.
Ex.: Carlos ofereceu flores a Luciana.


EXERCÍCIOS

1. Classifique o termo destacado como objeto direto ou objeto indireto.

a) Do barco avistamos a pequena casa.
b) Ele não se referiu a minhas atitudes.
c) “A mão trêmula da velha tateou o bolso da saia.”
d) Não lhe restavam esperanças.
e) Tirou da bolsa um pãozinho
f) Faltou patriotismo aos membros do congresso.
g) Ela adora música popular brasileira.
h) Paguei todas as minhas dívidas.
i) Paguei a todos os meus credores.
j) Entreguei nossas reivindicações ao presidente.
l) Entreguei nossas reivindicações ao presidente.
m) Joana gosta de livros.
n) Maria visitou o amigo.
o) Ana leu o livro sagrado.
p) Ele vendeu a moto.
q) Ela comprou um carro.
r) ) O 2º distrito precisa de investimentos.
s) Necessitamos de apoio.
t) Amamos o projeto.
u) O prefeito apoiou os vereadores.
v) O empresário negociou o prédio.
x) Comunicou o caso a polícia.
z) Comunicou o caso a polícia.


COMPLEMENTO NOMINAL – é o termo da oração que completa o significado de um substantivo, adjetivo ou advérbio, sempre através de uma preposição obrigatória.
Ex.: Faça uma cuidadosa leitura do texto.
Temos sido fiéis aos nossos princípios.
Ele mora perto de um grande parque.

OBS.: Tanto o complemento nominal quanto o objeto indireto são iniciados por preposição. A diferença é que o objeto indireto estará sempre ligado a um verbo transitivo indireto e o complemento nominal estará sempre ligado a uma palavra que não seja verbo (substantivo, adjetivo ou advérbio).

EXERCÍCIOS

1. Classifique o termo destacado como objeto indireto ou complemento nominal.

a) Tínhamos necessidade de ajuda.
b) O povo necessita de ajuda.
c) Duvido muito destas verdades.
d) Tenho muitas dúvidas destas verdades.
e) Heloísa gosta muito de música clássica.
f) Heloísa tinha gosto por música clássica.
g) Esse filme é impróprio para menores.
h) Você gostou desse filme?
i) O respeito às leis é fundamental.
j) Todos estavam confiantes na vitória.
l) Orgulho-me de você.
m) Duvido de sua capacidade para a tarefa.
n) O empresário tem ciência de todas as atitudes que foram tomadas.
o) Os rapazes torciam pela derrota do nosso time.
p) Todos nós confiamos em sua palavra.
q) Os alunos ficaram bastante satisfeitos com a nossa sala. _
r) Todos os professores têm muita consideração por você.
s) O funcionário já está apto para a nova função.
t) Sonhei com uma pessoa que nunca vi na vida.
u) Desisti de todos os meus projetos.
v) Aquele meu amigo é fanático por futebol.

2. Circule os complementos nominais presentes nas orações seguintes:

a) Sempre fui tolerante com os mais jovens.
b) Foi para bem longe daqui.
c) Sou-lhe eternamente grato por tudo isso.
d) Sua dedicação aos mais humildes não passava de demagogia eleitoreira.
e) Foram presos, ontem, vários caçadores de jacarés.
f) Seu irmão tem vocação para a música.
g) Sua dedicação aos menores carentes é admirável.
h) Todos têm muito respeito por você.
i) Ninguém aqui tem confiança em você.
j) Os meninos tiveram receio de sua atitude.
k) A derrubada do prédio foi impedida por uma comissão de moradores.
l) Toda família estava orgulhosa do pai.
m) Ele é responsável pelo departamento.
n) Sua colaboração será bastante útil para eles.
o) Os jogadores ficaram comovidos com a homenagem.



VOZES VERBAIS

a) VOZ ATIVA – quando o sujeito pratica a ação verbal.
Ex.: Os alunos organizaram a festa.
Sujeito / vtd / od

b) VOZ PASSIVA – quando o sujeito sofre a ação verbal.
Ex.: A festa foi organizada pelos alunos
Suj. / loc.verbal / agente da passiva

c) VOZ REFLEXIVA – quando o sujeito pratica e sofre a ação ao mesmo tempo.
Ex.: O menino cortou-se.
Sujeito / verbo reflexivo

AGENTE DA PASSIVA – é o termo da oração, na voz passiva, que indica o elemento que pratica a ação verbal. Vem sempre introduzido por uma preposição(por, pelo, pela, de).
Ex.:
Todas aquelas árvores foram plantadas por mim.
É uma pessoa estimada de todos.
Maria foi enganada pelo vendedor.


EXERCÍCIOS

1. As orações a seguir estão na voz ativa. Passe-as para a voz passiva e depois sublinhe o agente.

a) O exército cercou a cidade.

b) O goleiro desviou a bola.

c) O menino quebrou a vidraça.

d) O alunos entregaram o prêmio.

e) Ela trouxe as encomendas hoje.

f) A equipe encomendou dez quilos de carne.

g) O prefeito nomeou o novo diretor do colégio.

h) Um grupo de vândalos agrediu mais um mendigo.

i) Os fazendeiros fizeram novas ameaças.

j) Eu a amo.

k) Eu a vi no cinema.


2. As orações a seguir estão na voz passiva. Sublinhe o agente e, em seguida, passe-as para a voz ativa.

a) Várias casas foram destruídas pelo fogo.

b) A vila foi cercada pelos soldados.

c) A taça será disputada por esses dois times.

d) Nosso time foi derrotado pelo campeão da cidade.

e) O professor foi homenageado pela turma.


f) O trabalho de Ciências será apresentado por mim.



3. Nas orações abaixo, determine a função sintática dos termos destacados: objeto direto, objeto indireto, complemento nominal ou agente da passiva.

a) Bebemos um suco naquela lanchonete.
b) Sempre gostei muito de música.
c) “Toda mulher recupera o corpo poucas semanas depois do parto.”
d) Aquelas pessoas tinham interesse na resolução do problema.
e) O pianista estava envolvido pela luz do refletor.
f) Não eram tais palavras compatíveis com a sua posição.
g) Ela agradeceu aos companheiros pela rejeição do projeto.
h) Todos os jornais faziam críticas ao treinador.
i) O artista foi cercado pelos fãs.
j) Aquela notícia interessa a todos.
l) O deputado visitou alguns eleitores.
m) A comunidade local carece de assistência médica.
n) A população tem carência de assistência médica.
o) Os eleitores foram visitados pelos deputados.



TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO


1. ADJUNTO ADVERBIAL – é a função sintática exercida por um advérbio ou por uma locução adverbial, indicando uma circunstância em relação a um verbo, a um adjetivo ou a outro advérbio..
Ex.:
Os convidados chegaram cedo.
Os convidados chegaram muito cedo.
Aquelas alunas são muito inteligentes.

Algumas circunstâncias expressas pelo adjunto adverbial:

a) lugar: Eles moram na Bahia.
b) tempo: Moramos naquele bairro em 1990.
c) modo: Ele fez os exercícios caprichosamente.
d) intensidade: Ela era uma pessoa muito feliz.
e) dúvida: Talvez eles voltem ainda hoje.
f) afirmação: Certamente todos falaram a verdade.
g) negação: Não irei à sua casa hoje.
h) assunto: Os rapazes só falavam sobre futebol.
i) causa: O poeta morreu de tuberculose.
j) companhia: Ela foi ao teatro com o namorado.
l) finalidade: Todos estudavam para o exame final.
m) instrumento: O homem foi ferido com um canivete.
n) meio: O doente alimentava-se por um tubo.
Ela viajou de trem.
Ele pagou em dinheiro.

EXERCÍCIOS

1. Indique as circunstâncias expressas pelos adjuntos adverbiais destacados:

a) Ele se comportou bem hoje.
b) Naquele tempo, nós estávamos em Minas.
c) Ele mora muito longe daqui.
d) Talvez eu vá à sua casa amanhã.
e) O menino feriu-se com cacos de vidro.
f) No jantar, só se falou de política.
g) Ela deixou todos os livros sobre a mesa.
h) Com certeza ele não faltará à reunião.
i) Ele sempre sai com os amigos à noite.
j) O mendigo morreu de fome.
l) Ele veio de trem.
m) Ela é uma aluna bastante aplicada.
n) Ele nasceu para a vitória.
o) Ele agiu precipitadamente.
p) Todos chegaram bem cedo.
q) Os garotos sentaram na calçada.
r) Ontem estivemos em seu escritório.
s) Não irei à escola hoje.

2. Sublinhe e classifique os adjuntos adverbiais.

a) De modo algum farei o que você quer.
b) Seis meses depois, os dois estavam casados.
c) Ela era uma mulher bastante inteligente.
d) Ele é uma pessoa que age sabiamente.
e) Paulo é meio distraído.
f) Provavelmente amanhã ele não virá à escola.
g) Essa moça é realmente muito atenciosa.
h) Quem virá aqui hoje?
i) De repente, tudo se modificou.
j) Chegou silenciosamente às oito horas.
g) Viajou de trem por toda a cidade.
h) A pobre senhora quase morreu de vergonha.
i) Passei a tarde à toa.
j) Estudei bastante para o concurso.


ADJUNTO ADNOMINAL - é o termo da oração que serve para caracterizar ou especificar um substantivo, seja qual for sua função (sujeito, objeto, etc.).
Ex.: Esses seus dois LIVROS velhos serão vendidos.

O sujeito da oração é: esses seus dois livros velhos. O núcleo do sujeito é o substantivo LIVROS e as palavras sublinhadas são os adjuntos adnominais desse substantivo.

Ex.: Carlos comprou uma enorme CASA de campo.

O objeto direto da oração é: uma enorme casa de campo. O núcleo do objeto direto é o substantivo CASA. As palavras sublinhadas são adjuntos adnominais desse substantivo.

Os adjuntos adnominais podem ser representados por:

Artigos: uma
Pronomes: esses, seus
Adjetivos: velhos, enorme
Locução adjetiva: de campo
Numeral: dois


EXERCÍCIOS

Destaque os adjuntos adnominais das orações a seguir e circule os substantivos a que se referem:

a) Aquelas belas garotas foram ao baile.
b) Aquela loja de brinquedo é muito boa.
c) Nossos velhos companheiros de turma marcaram um encontro conosco.
d) Um antigo amigo nosso vendeu o carro para meu pai.
e) Os comerciantes do bairro organizaram uma comissão julgadora para o desfile.
f) Os jornais da cidade noticiaram o escândalo.
g) Todos os seus colegas de trabalho marcaram uma reunião especial para hoje à tarde.
h) As belas atrizes brasileiras fazem sucesso no exterior.
i) Os animais em extinção precisam ser preservados.
j) Os luxuosos carros importados pagam enormes taxas e altos impostos.
k) O dono desta empresa tem uma enorme casa de campo e um belo apartamento na praia.
l) Os dois enormes ipês floridos dominavam a tranquila paisagem da cidadezinha.
m) A bela Maria é a mais nova aluna do curso.


Explique o sentido de cada uma das frases a seguir:

a) O atento vigia observava, da praça, todo o movimento.

b) O atento vigia da praça observava todo o movimento.

c) O atento vigia observava todo o movimento da praça.



APOSTO – é o termo da oração que explica, esclarece, identifica de maneira mais exata outro termo da oração. Vem sempre depois de vírgula ou de dois pontos.
Ex.:
Maceió, capital de Alagoas, possui praias belíssimas.
Machado de Assis, criador da personagem Capitu, é um dos mais importantes escritores brasileiros.
Só queria uma coisa: alguns dias de férias.

VOCATIVO – é o termo da oração usado para chamar ou invocar pelo nome, apelido ou característica o ser ao qual nos referimos. Vem sempre acompanhado de vírgula ou ponto de exclamação.
Ex.:
Pedro, vamos preencher os formulários?
Senhor! Protegei os desamparados.
Meus irmãos! Tenhamos fé em Deus!


EXERCÍCIOS

Classifique os termos destacados como aposto ou vocativo.

a) Joaquim, um velho amigo nosso, mora em Campos.
b) Meu Deus! Olhai esses garotos.
c) Paulo, não corra na escada.
d) Rapazes, façam silêncio!
e) Luís Fernando Veríssimo, um dos melhores cronistas brasileiros, nasceu em Porto alegre.
f) Renato Russo, vocalista do grupo Legião Urbana, gravou lindas canções em italiano.
g) Lygia Fagundes Telles, uma bem-sucedida escritora paulistana, começou a escrever seus textos ainda adolescente.
h) Caríssimos colegas, nossa reunião foi adiada novamente.
i) Desejamos apenas isto: a tua felicidade.
j) Meninas, não corram nas escadas.
k) Meu velho amigo, não há mais nada que se possa fazer.
l) Ó meus sonhos, aonde fostes?
m) Não há mais nada a fazer, minha querida.
n) Um dia, meu bem, não haverá miséria.


PERÍODO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO

No período composto por coordenação, uma oração não funciona como termo da outra, elas são independentes e podem aparecer acompanhadas de conjunção ou não.
Quando as orações coordenadas não aparecem acompanhadas de conjunção, são chamadas de assindéticas e quando aparecem acompanhadas de conjunção, são chamadas de sindéticas.

RESUMINDO:

Orações coordenadas assindéticas são aquelas que não começam com uma conjunção, sendo separadas por vírgula.

Ex.: Lúcia chegou ao restaurante, / olhou à sua volta, / não encontrou ninguém conhecido, / foi-se embora.

Orações coordenadas sindéticas são aquelas que começam com uma conjunção.

Ex.: O carteiro entregou a correspondência, / mas primeiro pediu a assinatura no recibo. (a 1ª oração é assindética e a 2ª, sindética)

As ORAÇÕES COORDENADAS SINDÉTICAS são classificadas de acordo com as conjunções iniciais: aditivas, adversativas, alternativas, explicativas e conclusivas.

a) ADITIVAS – indicam soma, acréscimo, sequência: e, nem, como também, mas também, bem como...

Ex.:
O operário estava com a razão e reivindicou seus direitos.
A moça não só conseguiu um autógrafo de seu ídolo, como também tirou uma fotografia com ele.

b) ADVERSATIVAS – indicam adversidade, oposição, idéia contrária ao que foi dito na outra oração: mas, porém, contudo, entretanto, todavia, no entanto.

Ex.:
Saí cedo de casa, mas cheguei atrasado ao trabalho.

Eles chegaram cedo à bilheteria, porém todos os ingressos já estavam vendidos.

c) ALTERNATIVAS – indicam escolha, alternância, opção: ou, ou...ou, ora...ora, quer...quer, seja...seja...

Ex.:
Cumpra o que você prometeu ou nosso trato estará desfeito.
Ora ela está zangada, / ora fica meiga como uma criança.

d) EXPLICATIVAS – explicam ou justificam alguma coisa que foi dita na outra oração: porque, que, pois(quando aparece antes do verbo).

Ex.:
Venha depressa, que todos estão muito preocupados.
Não falte à reunião, porque precisamos de sua ajuda.

e) CONCLUSIVAS – indicam uma idéia de conclusão lógica em relação ao que foi dito na outra oração: logo, portanto, pois(quando aparece depois do verbo), de modo que, por isso, por conseguinte, em vista disso.

Ex.:
Ele trabalha muito, portanto merece um bom tempo de descanso.
Todos aqui gostam do seu trabalho, logo queremos que você fique.


EXERCÍCIOS

1. Classifique as orações coordenadas destacadas nos períodos a seguir:

a) Saí cedo do trabalho e fui direto para casa.

b) Ele não disse a verdade, porém todos acreditaram nele.

c) Colabore com seus colegas ou você ficará sem nota.

d) Nossos amigos não vieram nem telefonaram.

e) Ela já sofreu muito; hoje, porém, tem uma vida tranquila.

f) Eles são trabalhadores competentes, portanto podemos entregar-lhes esse projeto.

g) O rapaz não só trabalha, mas também estuda.

h) Ele é o melhor jogador do time, portanto foi convocado para a seleção.

i) A moça se empenhou muito, no entanto não conseguiu passar no vestibular.

j) Não saia de casa sozinha, pois é muito perigoso.


2. Agora, separe e classifique todas as orações dos períodos abaixo:

a) Ele é um ótimo pai, pois dá muita atenção e amor aos filhos.

b) Fomos dormir muito tarde, porém tivemos que acordar cedo.

c) Ela não só é uma moça muito bonita, como também é muito inteligente.

d) Pegue todos os seus pertences e saia da sala.

e) O artilheiro não fez uma boa partida, contudo marcou o gol da vitória.

f) Não fomos ao teatro nem encontramos nossos amigos.

g) O professor marcou o dia da prova, porém nós não estávamos na aula.

h) Todos foram para a festa e nós ficamos em casa.

i) Pedi licença ao professor, entrei na sala e dei o recado para a turma.

j) Alguns alunos estavam doentes, mas não faltaram à aula.

k) Ele se esforçou muito durante o ano, por isso merece ser aprovado.



PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO

No período composto por subordinação, as orações dependem uma da outra, ou seja, uma oração funciona como um termo da outra, sendo, portanto, dependentes. Assim, o período composto por subordinação é formado por uma oração principal e por uma subordinada.

ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA é aquela que exerce uma função típica de substantivo em relação à oração principal: sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo, complemento nominal e aposto.
As orações subordinadas substantivas são, normalmente, iniciadas pelas conjunções subordinativas integrantes QUE e SE e são classificadas de acordo com a função que exercem em relação à principal.

a) SUBJETIVA – exerce a função de sujeito da oração principal. Nesse caso, geralmente, a oração principal apresenta uma das formas a seguir:
· verbos: acontecer, constar, cumprir, importar, urgir, ocorrer, parecer, suceder, na 3ª pessoa do singular;
· expressões como: sabe-se, conta-se, é sabido, ficou provado, é bom, é claro, parece certo, está visto.
Ex.:
Consta que as contas de água e luz já foram pagas.
Sabe-se que ela não virá.
É bom que ela participe.

b) OBJETIVA DIRETA – exerce a função de objeto direto do verbo da oração principal. Depois do verbo da oração principal (transitivo direto) pergunta-se,automaticamente: o quê? quem?
Não há como confundir com a subjetiva, porque naquele caso não existe sujeito na oração principal e, neste caso, é possível localizar um sujeito, ainda que oculto, na oração principal.

Ex.:
Achamos que você deve partir imediatamente.
Quero saber se ela virá a festa.


EXERCÍCIOS

Divida os períodos em orações e classifique-as como principal, subjetiva ou objetiva direta.

a) Aposto como você se sairá bem no exame.

b) É necessário que se estabeleça um projeto para o país.

c) Nós esperamos que vocês nos visitem ainda hoje.

d) Parece estar provado que soluções mágicas não funcionam.

e) Todos queriam que a empresa fizesse um desconto.

f) Argumenta-se que o país não tem tecnologia competitiva.

g) A empresa pediu que todos contribuíssem.

h) Ocorre que o meu coração ficou frio.

i) Eles exigiram que retornássemos logo.

j) Sabe-se que a denúncia não procedia.

k) Todos notaram que ela é esforçada.

l) “Acontece que não sei mais amar.”

m) Sei que isso não vai dar em nada.

n) Conta-se que ele nunca saía de casa.

o) Pergunta-se qual seria a solução.

p) Sucede que o país precisa de uma política agrícola.

q) Sabe-se que precisamos de ajuda.

r) Não negue que o país precisa de uma política educacional.



c) OBJETIVA INDIRETA – exerce a função de objeto indireto do verbo da oração principal.
Somente a oração subordinada substantiva objetiva indireta e a completiva nominal começam com preposição. Para definir entre uma e outra é preciso observar o seguinte: caso ela se refira a um verbo da oração principal, será objetiva indireta; caso ela se refira a uma outra palavra da oração principal que não seja verbo, será completiva nominal.

Ex.:
Ele precisava de que fôssemos pacientes com ele.
Todos duvidavam de que ele fosse capaz.

d) COMPLETIVA NOMINAL – exerce a função de complemento nominal de um substantivo ou de um adjetivo da oração principal.
Ex.:
Ele tinha necessidade de que fôssemos pacientes com ele.
Todos tinham dúvidas de que ele fosse capaz.


EXERCÍCIOS

1. Classifique as orações subordinadas substantivas a seguir como objetivas indiretas ou completivas nominais.

a) Todos eram favoráveis a que voltássemos.

b) Nós duvidávamos de que ele pudesse partir.

c) A empresa estava convencida de que os funcionários fariam greve.

d) A mãe tinha certeza de que a filha passaria nos exames.

e) Os amigos insistiam em que ele os convidasse para a festa.

f) As crianças estavam com medo de que os pais as deixassem sozinhas em casa.

g) Ele nos convenceu de que tudo estaria resolvido em pouco tempo.

h) A mulher estava certa de que nada a separaria do filho.

i) Ninguém teve receio de que os policiais invadissem a casa.

j) Os jovens precisam de que os pais os orientem.

k) A secretária nos avisou de que o telegrama chegara.

l) Ninguém tinha interesse em que nós voltássemos.

m) Ninguém tinha necessidade de que o gerente comparecesse.

n) Nós insistimos em que vocês permaneçam aqui.

o) Todos estavam certos de que a crise passaria.



e) PREDICATIVA - exerce a função de predicativo de um termo que é sujeito da oração principal.
Para que a oração subordinada substantiva seja classificada como predicativa, é necessário que na oração principal apareça sujeito + verbo de ligação.
Ex.:
Nosso desejo era que vocês viajassem conosco.
O importante é que ela seja persistente.

f) APOSITIVA – exerce a função de aposto de um termo da oração principal. Geralmente, vem depois de dois pontos.
Ex.:
Dei-lhe um conselho: que não se importasse mais com o caso.
Nós só queremos uma coisa: que você seja feliz.


EXERCÍCIOS

1. Classifique as orações subordinadas substantivas dos períodos a seguir como predicativas ou apositivas.

a) A resposta dos alunos era sempre a mesma coisa: que não sabiam nada.

b) Sua esperança era que o plano fosse divulgado.

c) Faço a você somente um pedido: que se dedique aos estudos.

d) O engraçado é que ninguém a viu entrar.

e) O mais importante é que todos tenham a mesma chance.

f) Sua proposta era que nós devolvêssemos o lucro.



ORAÇÃO SUBORDINADA ADJETIVA – funciona como um adjetivo e exerce a função sintática de adjunto adnominal de um substantivo da oração principal. É iniciada por um pronome relativo: que, quem, qual, onde, cujo, e pode ser classificada como:

a) RESTRITIVA – quando limita ou resume o sentido da oração principal; não é separada por vírgula e pode aparecer no meio da oração principal.
Ex.:
A carta que recebi era de um grande amigo.
Os alunos que não conseguirem boa nota farão recuperação.
Pedi ajuda a uma senhora que estava sentada ao meu lado.

b) EXPLICATIVA – explica com mais detalhes a informação dada na oração principal, ampliando o seu sentido; aparecem sempre isoladas por vírgulas e, assim como a restritiva, pode aparecer no meio da oração principal.
Ex.:
Renato Russo, que era integrante do grupo Legião Urbana, morreu bastante jovem.
Machado de Assis, que é um grande escritor brasileiro, escreveu o livro Dom Casmurro.
Nossa casa de praia, que ficou fechada por muito tempo, será alugada para temporada.



EXERCÍCIOS

1. Substitua as orações subordinadas adjetivas destacadas por adjetivos:

a) A pessoa que tem ciúme sofre muito.
b) Eu conheço aquela garota que fala muito.
c) A pessoa que se esforça vence na vida.
d) Ele é um homem que tem confiança em si mesmo.
e) Aquela é uma mulher que sofre muito.
f) Aquelas são pessoas que têm muita angústia.

2. Agora, vamos fazer o contrário, ou seja, substituir os adjetivos destacados por uma oração adjetiva.

a) Aquelas moças ansiosas estão aqui.

b) Eles fizeram algumas observações inteligentes.

c) Ela é uma mãe aflita.

d) Eles são jogadores habilidosos.

e) Pessoa educada frequenta qualquer ambiente.

f) A funcionário usou palavras ofensivas.


3. Classifique as orações subordinadas adjetivas como restritivas ou explicativas.

a) Infeliz é o homem que não age honestamente.
b) Gosto muito do bairro onde vamos morar.
c) Os candidatos que faltaram serão desclassificados.
d) Mãe, que é pura demonstração de amor, dá a vida pelo filho.
e) Meus amigos, que sempre participaram das comemorações, não puderam comparecer.
f) O verão, que começa em dezembro, este ano chegou mais cedo.
g) Conversei com o aluno que machucou o pé.
h) O rapaz que lhe mandou flores está aqui.
i) Soraia, que é a moça mais escandalosa do bairro, sofreu um acidente.
j) Premiaram os alunos que estudam.
k)A Lua, que é um satélite, inspira muitos poetas.
l)Nos períodos a seguir, separe e classifique as orações:
m) “ E ela se formou no mesmo mês em que ele passou no vestibular.”
n) “ Amor que nunca cicatriza ao menos ameniza a dor.”
o) “ Só tenho medo da minha esperança, que não me ama.”
p) Falaram tudo quanto queriam.
q) Ele, que era velho, sentou-se no sofá.
r) “Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá.”
s) “Chamei ontem o Dr. Fagundes, que é médico da casa desde anos.”
t) “ As criaturas que me serviam durante anos eram bichos.”



ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS – exercem a função sintática de um adjunto adverbial ; são iniciadas por uma conjunção subordinativa e classificadas de acordo com o nome dessa conjunção: temporais, causais, condicionais, consecutivas, comparativas, proporcionais, conformativas, concessivas e finais.

a) TEMPORAIS –dão idéia de tempo, indicando o momento exato em que acontece o fato expresso na oração principal: desde que, assim que, logo que, sempre que, enquanto, quando, depois que, mal...
Ex.:
Enquanto todos dormiam, a casa foi invadida.
Mal chegamos, ela saiu.

b) CAUSAIS – indicam a causa do fato ocorrido na oração principal: porque, visto que, que, uma vez que, como...
Ex.:
Não pudemos sair de casa porque chovia muito.
Como ninguém havia chegado
, fomos embora.

c) COMPARATIVAS – estabelecem uma comparação com o que foi dito na oração principal: como, tal como, assim como, tal qual, que(combinado com mais ou menos)...
Ex.:
Nevou no sul do país como na Europa.
“Amou daquela vez como se fosse a última.”


EXERCÍCIOS

1. Classifique as orações subordinadas adverbiais dos períodos a seguir em temporais, causais ou comparativas.

a) Como ainda era cedo, resolvemos esperar os outros.

b) O sucesso da peça foi tão grande aqui quanto foi nas cidades do interior do país.

c) Logo que chegamos à escola, começou a chover.

d) Nós não podemos ir com você porque precisamos trabalhar.

e) Estava tão cansada, quanto o restante da turma.

f) Assim que vocês foram embora, a confusão começou.

g) Ele saiu de casa assim que você telefonou.

h) Logo que entramos, vimos os dois sentados numa mesa à esquerda.

i) Ele sempre foi mais aplicado do que eu.

j) Ela guardava os livros e os discos enquanto eu colocava as lâmpadas no quarto.

k) Aqui está fazendo frio como no Sul.

l) “Envelheçamos como as árvores fortes envelhecem.”

m) Saímos de casa, assim que amanheceu.

n) “Quando um muro separa, uma ponte une.”

o) “Como ninguém me convidou, não compareci.”



d) CONSECUTIVAS – indicam a consequência do fato expresso na oração principal: de modo que, de sorte que, de forma que, que (depois de tal, tão, tanto, taamanho)...
Ex.:
As árvores balançaram tanto que caíram todas as folhas.
Saímos tão distraídos, que esquecemos os ingressos.

e) CONCESSIVAS – indicam uma concessão em relação ao fato indicado na oração principal: ainda que, apesar de, mesmo que, embora, por mais que, se bem que, sem que...
Ex.:
Embora estivéssemos cansados, fomos assistir a apresentação dos cantores de MPB.
Saímos cedo, embora o espetáculo começasse tarde.

f) CONDICIONAIS – indicam uma condição ou hipótese em relação ao que foi dito na oração principal: desde que, a não ser que, se, contanto que, a menos que, salvo se...
Ex.:
Se você não cumprir o trato, nossa amizade terá um fim.
Caso não chova, vocês podem contar conosco.


EXERCÍCIOS

1. Classifique as orações subordinadas adverbiais dos períodos a seguir como consecutivas, concessivas ou condicionais.

a) O sucesso da peça foi tão grande, que os atores ficarão mais uma longa temporada.

b) Alguns alunos saíram sem que tivessem autorização.

c) Mesmo que você diga a verdade, eu não credito mais.

d) Farei o que você me pede, desde que não me aborreça mais.

e) Se alguém me ligar, diga que só volto amanhã.

f) Embora fosse feio, era uma pessoa muito amável.

g) Ela ficou com tanto medo, que desmaiou.

h) Você pode usar o meu carro, contanto que tenha cuidado.

i) Viajaremos para a serra ainda hoje, se não chover.

j) Choveu tanto naquela tarde, que não pudemos sair de casa.

k) Por mais que se esforçasse, não conseguia bom desempenho nas corridas de cem metros.

l) Sairei, se você der autorização.

m) Correram tanto, que chegaram na hora.

n) “Mesmo que eu mande em garrafas mensagens por todo o mar, meu coração tropical partirá esse gelo.”


g) CONFORMATIVAS – expressam uma relação de conformidade com o que foi dito na oração principal: conforme, como(=conforme), consoante, segundo...
Ex.:
Todos fizeram os exercícios conforme a professora explicou.
Como você havia previsto, ela não compareceu.

h) FINAIS – indicam a finalidade do fato indicado na oração principal: para que, a fim de que, que...
Ex.:
Encoste a porta para que o barulho do corredor não atrapalhe nossa concentração.
Saímos cedo, a fim de conseguir um bom lugar no teatro.

i) PROPORCIONAIS – indicam que o fato da oração subordinada está relacionado proporcionalmente ao que foi dito na oração principal: à medida que, à proporção que, quanto mais, quanto menos....
Ex.:
À medida que o tempo passava, nossa aflição aumentava.
Quanto mais ganhavam, mais gostavam.

EXERCÍCIOS

1. Classifique as orações subordinadas adverbiais dos períodos a seguir como conformativas, finais ou proporcionais.

a) Quanto mais nós corríamos, mais o calor aumentava.

b) Abra a janela para que o Sol possa entrar.

c) As crianças enfeitaram o salão conforme as mães ensinaram.

d) Tudo foi executado segundo o que estava combinado.

e) Elas prepararam uma surpresa a fim de que o aniversariante se animasse.

f) À medida que as pessoas se instruem, sua autoconfiança cresce.

g) Conforme informou o repórter, haverá uma greve de motoristas e cobradores de ônibus.

h) Estude muito para que seja aprovado nos exames.

i) Foram embora para que não houvesse confusão.

j) Saímos na hora, conforme havíamos combinado.

k) Os alunos saíam, à medida que terminavam a prova.

l) Segundo nos avisaram, naquele dia não haveria aula.

m) À medida que caminhavam, ficavam mais longe do posto.

n) Fiz-lhe um sinal que se calasse.

o) Fizeram tudo como eu solicitei.







terça-feira, 30 de junho de 2009

VESTIBULAR UERJ 2008

1º Exame de Qualificação 17/06/2007


Linguagens, códigos e suas tecnologias


COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 01 a 05

Há silêncios eloquentes como também palavras vãs, mas basta que sejam tocados pela emoção para que ambos, silêncio e palavra, somem a musicalidade a tudo que possuímos de mais humano. Eis por que dividimos com você o tema Humanidade e Musicalidade... porque, com notas que vão da ternura à fúria, escreve-se a partitura do mundo – uma canção que cabe apenas a nós harmonizar.

Uma mulher chamada Guitarra

Um dia, casualmente, eu disse a um amigo que a guitarra, ou violão, era “a música em forma de mulher”. A frase o encantou e ele a andou espalhando como se ela constituísse o que os franceses chamam um mot d’esprit. Pesa-me ponderar que ela não quer ser nada disso; é, melhor, a pura verdade dos fatos.
O violão é não só a música (com todas as suas possibilidades orquestrais latentes) em forma de mulher, como, de todos os instrumentos musicais que se inspiram na forma feminina – viola, violino, bandolim, violoncelo, contrabaixo –, o único que representa a mulher ideal: nem grande, nem pequena; de pescoço alongado, ombros redondos e suaves, cintura fina e ancas plenas; cultivada, mas sem jactância; relutante em exibir-se, a não ser pela mão daquele a quem ama; atenta e obediente ao seu amado, mas sem perda de caráter e dignidade; e, na intimidade, terna, sábia e apaixonada. Há mulheres-violino, mulheres-violoncelo e até mulheres-contrabaixo.
(...) Divino, delicioso instrumento que se casa tão bem com o amor e tudo o que, nos instantes mais belos da natureza, induz ao maravilhoso abandono!
E não é à toa que um dos seus mais antigos ascendentes se chama viola d’amore, como a prenunciar o doce fenômeno de tantos corações diariamente feridos pelo melodioso acento de suas cordas... Até na maneira de ser tocado – contra o peito – lembra a mulher que se aninha nos braços do seu amado e, sem dizer-lhe nada, parece suplicar com beijos e carinhos que ele a tome toda, faça-a vibrar no mais fundo de si mesma, e a ame acima de tudo, pois do contrário ela não poderá ser nunca totalmente sua.
Ponha-se num céu alto uma Lua tranquila. Pede ela um contrabaixo? Nunca! Um violoncelo? Talvez, mas só se por trás dele houvesse um Casal. Um bandolim? Nem por sombra! Um bandolim, com seus tremolos, lhe perturbaria o luminoso êxtase. E o que pede então (direis) uma Lua tranquila num céu alto? E eu vos responderei: um violão. Pois dentre os instrumentos musicais criados pela mão do homem, só o violão é capaz de ouvir e de entender a Lua.


questão 01


O título do texto de Vinicius de Moraes estabelece, indiretamente, uma relação de identidade entre dois elementos. Tal relação se torna possível pela aplicação do seguinte mecanismo:
(A) criação de valor ilógico para uma palavra
(B) vinculação de elemento inanimado a uma pessoa
(C) atribuição de característica inusitada a um objeto
(D) transformação de sentido denotativo em metafórico

questão 02


Algumas estratégias argumentativas são empregadas para persuadir o leitor de que a opinião do enunciador é, na verdade, um fato. A estratégia de persuasão presente nesse texto não inclui o uso de:
(A) imagem poética
(B) pergunta retórica
(C) interlocução direta
(D) argumento de autoridade

questão 03


“O violão é não só a música (...) em forma de mulher, como, de todos os instrumentos musicais que se inspiram na forma feminina (...), o único que representa a mulher ideal”.
Para defender o ponto de vista acima apresentado, o enunciador organiza o segundo parágrafo com base em um processo de:
(A) definição
(B) associação
(C) exemplificação
(D) contextualização

questão 04


A metáfora-base do texto se realiza, em plenitude, no terceiro parágrafo. O caráter conferido por esse parágrafo ao texto pode ser qualificado como:
(A) emotivo
(B) sensual
(C) figurativo
(D) contemplativo

Questão 05


No texto, fragmentos narrativos associam-se a sequências descritivas, originárias de um processo subjetivo de observação.
A alternativa que apresenta uma dessas sequências descritivas é:
(A) “atenta e obediente ao seu amado, mas sem perda de caráter e dignidade;”
(B) “E não é à toa que um dos seus mais antigos ascendentes se chama viola d’amore,”
(C) “Ponha-se num céu alto uma Lua tranquila. Pede ela um contrabaixo?”
(D) “só o violão é capaz de ouvir e de entender a Lua.”


COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 06 A 09.

Qualquer canção


Qualquer canção de amor
É uma canção de amor
Não faz brotar amor
E amantes
Porém, se essa canção
Nos toca o coração
O amor brota melhor
E antes
Qualquer canção de dor
Não basta a um sofredor
Nem cerze um coração
Rasgado
Porém, inda é melhor
Sofrer em dó menor
Do que você sofrer
Calado
Qualquer canção de bem
Algum mistério tem
É o grão, é o germe, é o gen
Da chama
E essa canção também
Corrói como convém
O coração de quem
Não ama

questão 06


A coerência é determinada, entre outros fatores, por elementos que contribuam para a progressão do texto.
Na letra da canção de Chico Buarque, a coerência do texto decorre da utilização dos seguintes recursos:
(A) marcação rítmica, repetição vocabular, paralelismo sintático
(B) marcação rítmica, repetição vocabular, multiplicidade temática
(C) repetição vocabular, paralelismo sintático, multiplicidade temática
(D) marcação rítmica, paralelismo sintático, multiplicidade temática

questão 07


A pluralidade de sentidos, característica da linguagem poética, pode ser obtida por meio de vários mecanismos, como, por exemplo, a elipse de termos.
Esse mecanismo está presente, de modo mais marcante, no seguinte verso:
(A) “E amantes” (v. 4)
(B) “E antes” (v. 8)
(C) “Rasgado” (v. 12)
(D) “Calado” (v. 16)

questão 08



Diferentes relações lógicas são estabelecidas entre as orações que compõem as estrofes do texto.
Na segunda estrofe, essas relações expressam as idéias de:
(A) adição, contraposição e comparação
(B) negação, anterioridade e adversidade
(C) finalidade, contrariedade e consecução
(D) proporcionalidade, intensidade e conclusão


questão 09



Na última estrofe do texto, o mistério a que se refere o eu lírico indica uma construção paradoxal.
Os elementos que compõem esse paradoxo são:
(A) início e fim
(B) alegria e dor
(C) música e silêncio
(D) criação e destruição




COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 10 A 13.


O segundo verso da canção / Affonso Romano de SANT’ANNA


Passar cinquenta anos sem poder falar sua língua com alguém é um exílio agudo dentro do silêncio. Pois há cinqüenta anos, Jensen, um dinamarquês, vivia ali nos pampas argentinos. Ali chegara bem jovem, e desde então nunca mais teve com quem falar dinamarquês. Claro que, no princípio, lhe mandavam revistas e jornais. Mas ninguém manda com assiduidade revistas e jornais para alguém durante cinquenta anos. Por causa disto, ali estava Jensen há inúmeros anos lendo e relendo o som silencioso e antigo de sua pátria. E como as folhas não falavam, punha-se a ler em voz alta, fingindo ouvir na própria voz a voz do outro, como se um bebê pudesse em solidão cantar para inventar a voz materna.
Cinquenta anos olhando as planuras dos pampas, acostumado já às carnes generosas dos churrascos conversados em espanhol (...). Um dia, um viajante de carro parou naquele lugarejo. Seu carro precisava de outros reparos além da gasolina. Conversa-vai-conversa-vem, no posto ficam sabendo que seu nome também era Jensen. Não só Jensen, mas um dinamarquês. E alguém lhe diz: aqui também temos um dinamarquês que se chama Jensen e aquele é o seu filho. O filho se aproxima e logo se interessa para levar o novo Jensen dinamarquês ao velho Jensen dinamarquês – pois não é todos os dias que dois dinamarqueses chamados Jensen se encontram nos pampas argentinos.
(...) Quando Jensen entrou na casa de Jensen e disse “bom dia” em dinamarquês, o rosto do outro Jensen saiu da neblina e ondulou alegrias. “É um compatriota!” E a uma palavra seguiram outras, todas em dinamarquês, e as frases corriam em dinamarquês, e o riso dinamarquês e a camaradagem dinamarquesa, tudo era um ritual desenterrando ao som da língua a sonoridade mítica da alma viking.
(...) Em poucas horas, povoou sua mente de nomes de artistas, rostos de vizinhos, parques e canções. Tudo ia se descongelando no tempo ao som daquela língua familiar. Mas havia um problema exatamente neste tópico das canções. Por isto, terminada a festa, depois dos vinhos e piadas, quando vem à alma a exilada vontade de cantar, Jensen chama Jensen num canto, como se fosse revelar algo grave e inadiável:
– Há cerca de cinqüenta anos que estou tentando cantar uma canção e não consigo. Falta-me o segundo verso. Por favor (disse como se pedisse seu mais agudo socorro, como se implorasse: retira-me da borda do abismo), por favor, como era mesmo o segundo verso desta canção? Sem o segundo verso nenhuma canção ou vida se completa. Sem o segundo verso a vida de um homem, dentro e fora dos pampas, é como uma escada onde falta um degrau, e o homem para. É um piano onde falta uma tecla. É uma boca de incompleta dentição. Se falta o segundo verso, é como se na linha de montagem faltasse uma peça e não houvesse produção. De repente, é como se faltasse ao engenheiro a pedra fundamental e se inviabilizasse toda a construção. Isto sabe muito bem quem andou cinquenta anos na ausência desse verso para cantar a canção.
Jensen olhou Jensen e disse pausadamente o segundo verso faltante. E ao ouvi-lo, Jensen – o exilado – cantou de volta o poema inteiro preenchendo sonoramente cinquenta anos de solidão. Ao terminar, assentou-se num canto e batia os punhos sobre o joelho dizendo: “Que alegria! Que alegria!” Era agora um homem inteiro. Tinha, enfim, nos lábios toda a canção.




questão 10



“E como as folhas não falavam, punha-se a ler em voz alta, fingindo ouvir na própria voz a voz do outro”.
As emoções do velho Jensen, reavivadas pela sonoridade da língua dinamarquesa, revelam a preservação de um caráter de pertencimento que pode ser traduzido como:
(A) herança materna
(B) identidade cultural
(C) memória coletiva
(D) compromisso social


questão 11



Ao longo do texto, é a língua materna que mantém o velho Jensen próximo a sua terra natal. O elemento que, concretamente, sintetiza essa aproximação é:
(A) o som silencioso da pátria
(B) o exílio agudo da memória
(C) o verso esquecido da canção
(D) a sonoridade mítica da infância


questão 12



O processo de personificação é um recurso utilizado no texto para humanizar a narrativa e cativar o leitor. Um exemplo de personificação aparece no seguinte fragmento:
(A) “Passar cinquenta anos sem poder falar sua língua com alguém é um exílio agudo dentro do silêncio.”
(B) “E como as folhas não falavam, punha-se a ler em voz alta, fingindo ouvir na própria voz a voz do outro.”
(C) “Cinqüenta anos olhando as planuras dos pampas, acostumado já às carnes generosas dos churrascos conversados em espanhol”.
(D) “Era agora um homem inteiro. Tinha, enfim, nos lábios toda a canção.”


questão 13



Até a chegada aos pampas de um novo viajante dinamarquês, a narrativa é marcada pelo distanciamento e pela solidão.
O recurso utilizado para indicar que tal realidade estava prestes a ser superada é:
(A) o foco da narrativa
(B) o tempo dos verbos
(C) a construção de diálogos
(D) o nome dos personagens




COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA À QUESTÃO DE NÚMERO 14.

Com base nos textos anteriores , responda À questão de número 15.
In: GOMBRICH, E. H. A história da arte.Rio de Janeiro: LTC, 1999.







questão 14



Os significados das imagens estão relacionados com o tratamento dado aos elementos que as compõem.
Na pintura de Chagall, o tratamento conferido aos elementos situados em primeiro plano homem e animal – gera, pela comparação, o seguinte sentido:
(A) a música é realidade para os homens, mas não para os animais
(B) os homens, tanto quanto os animais, podem ser feitos de música
(C) os músicos, ao contrário dos animais, podem-se transformar em música
(D) a música pode ser a essência dos músicos, sejam eles humanos ou não


questão 15



Embora tão diferentes, produzidos em épocas e contextos tão diversos, os textos desta prova aproximam-se na medida em que estabelecem um vínculo entre música e:
(A) vida
(B) criação
(C) verdade
(D) espiritualidade






VESTIBULAR UERJ 2008



II EXAME DE QUALIFICAÇAO


COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 01 a 05.


Vivemos em espaços... vivemos os espaços. Refletir sobre a necessidade de preservação, seja do mundo que nos cerca, seja do interior de cada um de nós, é o que desejamos ao propor, nesta prova, o tema O Homem e seus Espaços... porque, afinal, queiramos ou não, apesar das fronteiras e clausuras, nada mais humano do que a vocação para os espaços abertos e para os cenários que não se completam...


O adeus / Rubem Braga

No oitavo dia sentimos que tudo conspirava contra nós. Que importa a uma grande cidade que haja um apartamento fechado em alguns de seus milhares de edifícios; que importa que lá dentro não haja ninguém, ou que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se movendo na penumbra como dentro de um sonho? Entretanto a cidade, que durante uns dois ou três dias parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a atacar. O telefone tocava, batia dez, quinze vezes, calava-se alguns minutos, voltava a chamar; e assim três, quatro vezes sucessivas.
Alguém vinha e apertava a campainha; esperava; apertava outra vez; experimentava a maçaneta da porta; batia com os nós dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza de que havia alguém lá dentro. Ficávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida, nos deixasse em nossa felicidade que fluía num encantamento constante.
Eu sentia dentro de mim, doce, essa espécie de saturação boa, como um veneno que tonteia, como se meus cabelos já tivessem o cheiro de seus cabelos, se o cheiro de sua pele tivesse entrado na minha. Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo repetido jogo lânguido, e uma vez que, sentado, de frente para a janela por onde se filtrava um eco pálido de luz, eu a contemplava tão pura e nua, ela disse: “Meu Deus, seus olhos estão esverdeando”.
Nossas palavras baixas eram murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo ensaio para que um movimento chamasse outro: inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo imperceptível, como um lento bailado. Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também minha fraqueza; resolvi sair, era preciso dar uma escapada para obter víveres; vesti-me lentamente, calcei os sapatos como quem faz algo de estranho; que horas seriam?
Quando cheguei à rua e olhei, com um vago temor, um sol extraordinariamente claro me bateu nos olhos, na cara, desceu pela minha roupa, senti vagamente que aquecia meus sapatos. Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e veículos irreais que se cruzavam; tive uma tonteira, e uma sensação dolorosa no estômago.
Havia um grande caminhão vendendo uvas, pequenas uvas escuras; comprei cinco quilos. O homem fez um grande embrulho de jornal; voltei, carregando aquele embrulho de encontro ao peito, como se fosse a minha salvação. E levei dois, três minutos, na sala de janelas absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para compreender que o milagre acabara; alguém viera e batera à porta, e ela abrira pensando que fosse eu, e então já havia também o carteiro querendo o recibo de uma carta registrada, e quando o telefone bateu foi preciso atender, e nosso mundo foi invadido, atravessado, desfeito, perdido para sempre – senti que ela me disse isso num instante, num olhar entretanto lento (achei seus olhos muito claros, há muito tempo não os via assim, em plena luz), um olhar de apelo e de tristeza onde entretanto ainda havia uma inútil, resignada esperança.

questão 01

O título do texto de Rubem Braga é o prenúncio de uma idéia de separação que percorre a narrativa. Essa idéia é percebida pelos personagens por meio do seguinte elemento:
(A) falta de paixão
(B) desgaste da relação
(C) invasão de espaço
(D) proximidade em excesso 

questão 02

Os tempos pretéritos utilizados no texto desempenham diferentes funções na construção do discurso narrativo. A função do tempo pretérito sublinhado nos fragmentos abaixo encontra-se corretamente definida em:
(A) “Alguém vinha e apertava a campainha;” – expressar indeterminação do agente
(B) “que horas seriam?” – mostrar simultaneidade de fatos
(C) “O homem fez um grande embrulho de jornal;” – indicar ação finalizada
(D) “alguém viera e batera à porta,” – caracterizar ausência de dúvida

questão 03


Figuras de linguagem – por meio dos mais diferentes mecanismos – ampliam o significado de palavras e expressões, conferindo novos sentidos ao texto em que são usadas. A alternativa que apresenta uma figura de linguagem construída a partir da equivalência entre um todo e uma de suas partes é:
(A) “que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se movendo na penumbra como dentro de um sonho?”
(B) “Entretanto a cidade, que durante uns dois ou três dias parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a atacar.”
(C) “batia com os nós dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza de que havia alguém lá dentro.”
(D) “Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também minha fraqueza;”

questão 04


Na estruturação dos períodos, existem elementos que, ao se referirem a palavras e expressões já mencionadas, contribuem para a coesão textual da narrativa. Um desses elementos coesivos encontra-se adequadamente destacado no seguinte fragmento:
(A) “No oitavo dia sentimos que tudo conspirava contra nós.”
(B) “Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que era além do amor,”
(C) “e ela abrira pensando que fosse eu,”
(D) “senti que ela me disse isso num instante, num olhar entretanto lento”

questão 05

O espaço exterior ao apartamento é tratado como um elemento de oposição aos amantes. Essa idéia não é percebida na seguinte passagem do texto:
(A) “Que importa a uma grande cidade que haja um apartamento fechado em alguns de seus milhares de edifícios;”
(B) “O telefone tocava, batia dez, quinze vezes, calava-se alguns minutos, voltava a chamar; e assim três, quatro vezes sucessivas.”
(C) “Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e veículos irreais que se cruzavam;”
(D) “E levei dois, três minutos, na sala de janelas absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para compreender que o milagre acabara;”

COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 06 A 09.


Coração numeroso


Moriconi, Italo (org.). Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. Carlos Drummond de Andrade

Foi no Rio.
Eu passava na Avenida quase meia-noite.
Bicos de seio batiam nos bicos de luz
estrelas inumeráveis.
Havia a promessa do mar
e bondes tilintavam,
abafando o calor
que soprava no vento
e o vento vinha de Minas.
Meus paralíticos sonhos
desgosto de viver
(a vida para mim é vontade de morrer)
faziam de mim homem-realejo
imperturbavelmente
na Galeria Cruzeiro
quente quente
e como não conhecia ninguém
a não ser o doce vento mineiro,
nenhuma vontade de beber,
eu disse: Acabemos com isso.
Mas tremia na cidade uma fascinação
casas compridas
autos abertos correndo caminho do mar
voluptuosidade errante do calor
mil presentes da vida aos homens indiferentes,
que meu coração bateu forte, meus olhos inúteis choraram.
O mar batia em meu peito, já não batia no cais.
A rua acabou, quede as árvores? a cidade sou eu
a cidade sou eu
sou eu a cidade
meu amor.

questão 06


O título Coração numeroso expressa o vínculo final do eu lírico tanto com o Rio de Janeiro quanto com Minas Gerais. Em relação a esses lugares, o título revela a seguinte atitude do eu lírico:
(A) temer os dois
(B) valorizar a ambos
(C) preferir um ao outro
(D) abandonar um pelo outro


questão 07


O poema de Drummond pode ser dividido em duas partes em que se manifestam sentimentos de exclusão e de identificação em relação ao Rio de Janeiro. O verso que demarca a mudança de sentimento do eu lírico é:
(A) “Mas tremia na cidade uma fascinação casas compridas”
(B) “O mar batia em meu peito, já não batia no cais.”
(C) “A rua acabou, quede as árvores? a cidade sou eu”
(D) “meu amor.”

questão 08


Minas Gerais é um espaço privilegiado de lembrança no poema. A relação de pertencimento que o eu lírico estabelece com tal espaço está sintetizada em:
(A) “e bondes tilintavam,”
(B) “faziam de mim homem-realejo imperturbavelmente”
(C) “voluptuosidade errante do calor”
(D) “mil presentes da vida aos homens indiferentes,”




questão 09


O discurso poético se caracteriza pelo uso de recursos que abrem ao leitor a possibilidade de múltiplas interpretações. A dupla possibilidade de leitura de uma mesma palavra é o recurso que provoca essa multiplicidade em:
(A) “Eu passava na Avenida quase meia-noite.”
(B) “Bicos de seio batiam nos bicos de luz estrelas inumeráveis.”
(C) “Meus paralíticos sonhos desgosto de viver”
(D) “na Galeria Cruzeiro quente quente”


COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 10 A 13.

As esperanças / Augusto Frederico Schmidt

Uma esperança entrou em meu quarto. Trouxeram-me o pequeno corpo vegetal, quase imobilizado pelo medo, como se fosse um sinal de próxima vitória minha. Pedi que devolvessem a “esperança” ao seu meio, que a salvassem imediatamente. Depois, fechei os olhos e revi o mundo de esperanças que me veio acompanhando da infância até aqui: os relvados de outrora, e o reino de grilos, das “esperanças”, dos louva-a-deus. Sobre o meu peito se estendeu uma espécie de campo verde, longo, contínuo. Tive a sensação de que fora sempre uma árvore e que me percorriam pequenos corpos vegetais.
(...) Começo a brincar com a palavra esperança. “Já não é mais a hora de esperança”, digo-me eu. “Esperança em quê?” Ouço então uma voz que me diz: “Encontrarás, do outro lado da Terra, uma grande e amena extensão relvada, onde poderás dormir com a tranquilidade que nunca encontraste aqui. As ‘esperanças’ velarão pelo teu sono e pelo ritmo de todas as coisas. Quando se acaba o mundo de desesperanças, se inicia o tempo das esperanças. Não demores em dormir o teu sono final. Não insistas em ficar pensando insone.
Do outro lado há um sono, como um pálio aberto. Dorme-se quando se espera, quando há esperança; ou quando a vida se tornou idêntica à própria morte, e as ‘esperanças’ boiam nas águas estagnadas e são corpos defuntos conduzidos ao léu, ao capricho dos ventos espessos”. Mas a “esperança” que entrou no meu quarto falou-me também com insistência, em presença terrestre, em vitória neste mundo, em recuperação floral, em sol, em leite, em campo, em olhos, em mel, em estradas, em encontros julgados já impossíveis e que inesperadamente se realizam, quando tudo convidava a desesperar.
Meu Deus - a “esperança” me chamou a atenção para o mundo terrestre, mas não para o reino em que vivi até agora e onde acabei apenas existindo, vergado pelo tédio, pelo “já visto”, pelo desgosto de mim mesmo e dos outros. A “esperança” trouxe-me a imagem de dias verdes e leves, das coisas tocadas pela poesia. O olhar de sono depois das vindimas; as mãos álacres e febris; o riso das malícias inocentes.
Oh! Este mundo é o mundo em que habito, mas não é mais o meu mundo. Uma pálpebra longa e dolorosa começa a cerrar-se por sobre todas as coisas belas, primaveris. Através das janelas fechadas entra um fio de sol de fim de tarde. Quem bate no peito e reza no coro de vozes longas? É o vento, é a noite, é a montanha habitada pelos espíritos. A pequena “esperança” é o contrário de tudo isso. É o espírito inocente. É a pequena vida. É o sorriso. É tudo ou nada.
De quando em quando, antigamente, achávamos uma “esperança” parecida com o pedaço de uma folha de árvore. Leve, disfarçada, quieta, dissimulada. “Esse bicho é um louva-a-deus. E de parreira...” Agora veio a sombra. Mas a esperança está cantando.
Deus meu, que voz triste essa que me convida a viver!

questão 10


Para o enunciador, a falta de esperança relaciona-se à descrença no mundo: “Já não é mais a hora de esperança”, digo-me eu.
O fim dessa descrença está associado, no texto, à idéia de:
(A) fuga
(B) rebeldia
(C) otimismo
(D) contemplação

questão 11

No segundo parágrafo do texto, a narrativa traz o ponto de vista de uma outra voz, diferente da do narrador.
O objetivo da utilização desse recurso é:
(A) inspirar medo ao leitor
(B) estabelecer desequilíbrio na narrativa
(C) oferecer uma alternativa ao narrador
(D) contrariar um argumento de autoridade

questão 12


Ao longo da narrativa, cria-se um jogo entre os diferentes significados da palavra esperança.
Com esse jogo, produz-se um efeito de duplo sentido no seguinte fragmento:
(A) “Uma esperança entrou em meu quarto.”
(B) “Começo a brincar com a palavra esperança.”
(C) “‘Esperança em quê?’”
(D) “De quando em quando, antigamente, achávamos uma ‘esperança’ parecida com o pedaço de uma folha de árvore.”

questão 13


Não insistas em ficar pensando insone. Do outro lado há um sono, como um pálio aberto.
No fragmento acima, as duas sentenças, embora separadas apenas por ponto, mantêm entre si um vínculo lógico. Esse vínculo pode ser caracterizado como:
(A) final
(B) causal
(C) concessivo
(D) comparativo

COM BASE NA IMAGEM E NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 14 e 15.

questão 14


Os elementos não-verbais, nas histórias em quadrinhos, estão carregados de valor semântico.
A presença de linhas que unem os balões, no segundo e terceiro quadrinhos, apontando para o infinito, é indicativa da:
(A) rotação da Terra
(B) curiosidade da Lua
(C) omissão de Saturno
(D) velocidade de Vênus

questão 15


No quadrinho final, a fala do Sr. Terra se justifica pela analogia entre o personagem e o nosso planeta.
A caracterização desse personagem se relaciona com:
(A) as dúvidas dos personagens frente ao futuro
(B) a interferência dos planetas sobre a vida humana
(C) a degradação do meio ambiente inerente ao progresso
(D) as especificidades do Sistema Solar expressas nos quadrinhos


2ªFase - Exame Discursivo - 02/12/2007

Língua portuguesa / Literatura brasileira


texto I

A Lata de Lixo / Murilo MENDES

A lata de lixo, outrora sórdido caixote (salvo para os vira-latas), transformou-se hoje num elegante objeto de plástico, em geral azul, perfeita esfera. Embarcaríamos até nessa astronave!
Manuel Bandeira viu certa vez um homem fuçando uma lata de lixo num pátio. Com esse material mínimo escreveu uma poesia muito admirada também num determinado setor das universidades de Roma e de Pisa. Roma! Os palácios vermelhos de Roma! Pisa! A lâmpada de Galileu! As romanas! As pisanas!
Não é fácil ver-se o lixeiro. Trata-se de um personagem kafkiano, quase marciano. Deixa-se
a lata do lado de fora, e ele, pisando com pés de lã, invisível aos olhos mortais, discreto, obediente, esvazia a esfera azul. Só uma vez tive ocasião de encontrar um lixeiro, aqui em Roma, nas vésperas do Natal. Bateu à minha porta, subvestido (subnutrido?), sorridente, anunciando: Eu sou o lixeiro. Respondo logo, também sorridente: Bom dia. Como se chama o senhor? Não tolero ignorar os nomes daqueles com quem trato. A função adâmica1 do poeta move-o a nomear as coisas e as pessoas. Não só atribuir um nome aos que ainda não o têm, mas informar-se dos que já o têm.
De resto um homem, antes de ser lixeiro, garçom ou motorista, é uma pessoa, quero saber seu nome. Eu me chamo, e todos os outros me chamam, Murilo. Dum ponto de vista puramente eufônico2 e visual preferiria chamar-me por exemplo Goya, Velázquez ou Zurbarán.
Malandro e hipócrita sou! Bem vejo que não se trata de um ponto de vista puramente eufônico e visual, trata-se de atenção à hierarquia dos valores: mesmo contrariando Ortega y Gasset, mesmo reconhecendo o interesse dum certo lado da obra de Murilo, o lado mais realista, não o situo no plano dos outros três pintores.
Vaidade das vaidades: Tudo é vaidade, até mesmo a de querer mudar de nome para se elevar, até mesmo a de embarcar numa astronave, percorrer o cosmo que um dia próximo ou remoto, não sei, será despejado como lixo; e um mundo novo se levantará sobre latas, máquinas de plástico ou não, sobre as ruínas dos textos, as ruínas das ruínas: o novo céu, a nova terra, previstos e anunciados pelo transformador e reformador de todas as coisas visíveis e invisíveis, o Ser dialético por excelência.

questão 01

De modo geral, a crônica apresenta uma linguagem simples e despretensiosa, próxima da conversa de todo dia. Murilo Mendes, porém, elabora a sua crônica com recursos expressivos comumente associados à função estética da linguagem. Observe o trecho abaixo, no qual estão sublinhados dois desses recursos.
“Não é fácil ver-se o lixeiro. Trata-se de um personagem kafkiano, quase marciano. Deixa-se a lata do lado de fora, e ele, pisando com pés de lã, invisível aos olhos mortais, discreto, obediente, esvazia a esfera azul.”
Nomeie cada recurso e caracterize seu valor expressivo.

questão 02


Há no primeiro parágrafo expressões de variado valor conotativo referentes a um mesmo tópico. Relacione essas expressões e identifique de que modo o autor estabelece, no texto, um contraste radical entre duas delas.

questão 03


Considere a seguinte passagem: “mesmo contrariando Ortega y Gasset, mesmo reconhecendo o interesse dum certo lado da obra de Murilo, o lado mais realista, não o situo no plano dos outros três pintores.”
Classifique as orações reduzidas quanto à circunstância adverbial que expressam. Em seguida, preservando esse sentido, reescreva as orações com tempo e modo adequados, coordenando-as por meio de uma conjunção aditiva.

texto II




O bicho / Manuel BANDEIRA


Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.




questão 04


Não examinava nem cheirava:
(....)
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.


O conjunto de versos acima remete a dois conteúdos subentendidos, correspondentes a conhecimentos, crenças ou valores do senso comum.
Explicite esses dois conteúdos.






questão 05


Os textos I e II tomam como ponto de partida, respectivamente, um objeto e uma cena do cotidiano. Apesar desse ponto de partida semelhante, os dois textos desenvolvem avaliações distintas acerca da condição do homem.
Explique essa diversidade de avaliações e transcreva, de cada um dos textos, a passagem que a comprova.




texto III


Maria Cora / Machado de Assis


Uma noite, voltando para casa, trazia tanto sono que não dei corda ao relógio. Pode ser também que a vista de uma senhora que encontrei em casa do comendador T. contribuísse para aquele esquecimento; mas estas duas razões destroem-se.
Cogitação tira o sono e o sono impede a cogitação; só uma das causas devia ser verdadeira. Ponhamos que nenhuma, e fiquemos no principal, que é o relógio parado, de manhã, quando me levantei, ouvindo dez horas no relógio da casa.
Morava então (1893) em uma casa de pensão no Catete. Já por esse tempo este gênero de residência florescia no Rio de Janeiro. Aquela era pequena e tranquila. Os quatrocentos contos de réis permitiam-me casa exclusiva e própria; mas, em primeiro lugar, já eu ali residia quando os adquiri, por jogo de praça; em segundo lugar, era um solteirão de quarenta anos, tão afeito à vida de hospedaria que me seria impossível morar só. Casar não era menos impossível. Não é que me faltassem noivas. Desde os fins de 1891 mais de uma dama, – e não das menos belas, – olhou para mim com olhos brandos e amigos. Uma das filhas do comendador tratava-me com particular atenção. A nenhuma dei corda; o celibato era a minha alma, a minha vocação, o meu costume, a minha única ventura. Amaria de empreitada e por desfastio1. Uma ou duas aventuras por ano bastavam a um coração meio inclinado ao ocaso e à noite. Talvez por isso dei alguma atenção à senhora que vi em casa do comendador, na véspera. Era uma criatura morena, robusta, vinte e oito a trinta anos, vestida de escuro; entrou às dez horas, acompanhada de uma tia velha. A recepção que lhe fizeram foi mais cerimoniosa que as outras; era a primeira vez que ali ia. Eu era a terceira. Perguntei se era viúva.
– Não; é casada.
– Com quem?
– Com um estancieiro do Rio Grande.
– Chama-se?
– Ele? Fonseca, ela Maria Cora.
– O marido não veio com ela?
– Está no Rio Grande.
Não soube mais nada; mas a figura da dama interessou-me pelas graças físicas, que eram o oposto do que poderiam sonhar poetas românticos e artistas seráficos2. Conversei com ela alguns minutos, sobre cousas indiferentes, – mas suficientes para escutar-lhe a voz, que era musical, e saber que tinha opiniões republicanas. Vexou3-me confessar que não as professava de espécie alguma; declarei-me vagamente pelo futuro do país. Quando ela falava, tinha um modo de umedecer os beiços, não sei se casual, mas gracioso e picante. Creio que, vistas assim ao pé, as feições não eram tão corretas como pareciam a distância, mas eram mais suas, mais originais.




questão 06


Embora inserido, sob o ponto de vista cronológico, no período do Realismo-Naturalismo, o texto III, de Machado de Assis, não adota integralmente as técnicas e procedimentos formais característicos dessa corrente literária.
Observe as expressões destacadas no primeiro parágrafo do texto:


“Uma noite, voltando para casa, trazia tanto sono que não dei corda ao relógio. Pode ser também que a vista de uma senhora que encontrei em casa do comendador T. contribuísse para aquele esquecimento; mas estas duas razões destroem-se. Cogitação tira o sono e o sono impede a cogitação; só uma das causas devia ser verdadeira. Ponhamos que nenhuma, e fiquemos no principal, que é o relógio parado, de manhã, quando me levantei, ouvindo dez horas no relógio da casa.”


Considerando os termos destacados, identifique o recurso narrativo que afasta o fragmento acima da estética realista-naturalista. Explique também por que esse recurso não condiz com tal corrente.




questão 07


Observe as formas sublinhadas em: “Morava então (1893) em uma casa de pensão no Catete. Já por esse tempo este gênero de residência florescia no Rio de Janeiro. Aquela era pequena e tranquila.” Esse, este e aquela são formas empregadas como recursos de coesão textual.
Indique a classe gramatical a que pertencem essas palavras e justifique a escolha de cada uma no trecho de acordo com a respectiva função textual.




questão 08


O narrador atribui a Maria Cora traços que a opõem à típica heroína do Romantismo. Aponte dois desses traços – um físico e um intelectual – e justifique por que eles não são característicos do perfil feminino romântico.


texto IV


Na minha terra / Álvares de Azevedo


Amo o vento da noite sussurrante
A tremer nos pinheiros
E a cantiga do pobre caminhante
No rancho dos tropeiros;
E os monótonos sons de uma viola
No tardio verão,
E a estrada que além se desenrola
No véu da escuridão;
A restinga d’areia onde rebenta
O oceano a bramir1,
Onde a lua na praia macilenta2
Vem pálida luzir;
E a névoa e flores e o doce ar cheiroso
Do amanhecer na serra,
E o céu azul e o manto nebuloso
Do céu de minha terra;
E o longo vale de florinhas cheio
E a névoa que desceu,
Como véu de donzela em branco seio,
As estrelas do céu.




questão 09


O texto IV, de Álvares de Azevedo, evidencia o tratamento concedido à natureza pelos poetas do Romantismo.
Identifique dois traços que caracterizam esse tratamento e cite um exemplo do texto para cada um deles.


questão 10
Em "E o longo vale de florinhas cheio" temos uma forma diminutiva no plural. Este plural pode ser expresso por outras duas formas. Indique-as e caracterize a diferença entre as três de acordo com a variedade de usos da língua.